Jesus o Deus Humano

Jesus o Deus Humano

JESUS: O DEUS-HUMANO

Uma paráfrase da biografia de Jesus a partir da unificação dos Evangelhos Bíblicos.

GILBERTO CAEIRO

“Um Jesus tão humano assim, só podia ser Deus”. (Papa Leão Magno)

“ Jesus, Joy of Man’ desiring” Jesus a Alegria do Desejo Humano  Johann Sebastian Bach

“Embora sendo Deus, não se considerou ser igual a Deus; mas esvaziou-se a si mesmo, tornando-se homem, demasiadamente homem” (adaptado de Filipenses 2:6,7).

POR QUE REESCREVER OS EVANGELHOS BÍBLICOS EM NARRATIVA ÚNICA E SIMPLIFICADA?

Essa narrativa pode ser lida com duas intenções. Para conhecer quem foi e o que fez Jesus ou para aplicarmos seus ensinamentos como princípios de sabedoria em nossas vidas, reconhecendo que “Jesus é a luz do mundo. Quem o segue não vai andar na escuridão”.

Ambas as possibilidades de leitura valem a pena.

Ler os quatro evangelhos separadamente pode requer também muito tempo e as diferenças aparentes nos detalhes e sequência cronológica de suas estórias podem ser confusas e entediantes. Esta é uma das principais razões de se ter um evangelho unificado em uma narrativa única, contendo os detalhes completos de cada episódio que cada evangelho reconta.

Frequentemente, nos agarramos nas implicações teológicas e riqueza em termos quatro “evangelhos” ou narrativas da vida, pregação, morte e renascer de Cristo. Daí a pergunta: por que há quatro evangelhos?

A pergunta mais importante deveria ser: o que fazemos com quatro evangelhos, quatro narrativas? Existem duas respostas prevalecentes: harmonizar e reconciliar as narrativas.

Harmonização é a resposta mais intuitiva. Ao harmonizar as quatro narrativas, evitamos ter quatro estórias diferentes sobre Jesus e passamos a ter uma narrativa unificada e coerente.

Ao reconciliar as quatro histórias evitamos as aparentes contradições, além de tornar a leitura mais agradável e tocante. Ademais, curtamos  os vídeos de curta duração sobre o Episódio e admiremos as pinturas consagradas alusivas aos Episódios numa verdadeira epifania! Aprendendo a ter o PASMO ESSENCIAL, como poetizava meu bisavô Alberto Caeiro, o Argonauta das Sensações!

NÃO SE TRATA DE RELIGIÃO NENHUMA. MAS APENAS TRATA DA HISTÓRIA DO HOMEM QUE MUDOU A HISTÓRIA! TODOS SÃO BEM VINDOS A DESFRUTAR ESSA TOCANTE HISTÓRIA E VIVAM O PROPÓSITO DA SUA VINDA AO PLANETA TERRA: ” EU VIM PARA QUE TODOS TENHAM VIDA E VIDA PLENA!

Jesus o Deus Humano

Introdução

Sempre tive o hábito de parafrasear escritos e imitar pessoas. Parafrasear é escrever o mesmo texto de forma diferente, mas mantendo o sentido, assim como imitar é fingir ser certa pessoa através de sua fala e seus gestos. Ambos têm de ser o mais próximo da realidade. É difícil parafrasear ou imitar sem distorcer ou ser grotesco. Antes de discorrer sobre a árdua tarefa de unificar os evangelhos que relatam a vida de Cristo em uma biografia unificada, preciso contar um pouco do pano de fundo de como isso foi feito e de quem fez.

Desde minha adolescência tive uma admiração muito forte pelo que Cristo fez e foi. Lia muito a Bíblia, principalmente os quatro evangelhos. Recordo-me quando visitava a casa de minha vó no interior de São Paulo. A casa era uma tapera, rebocada com barro. Fogão a lenha, chão de terra socada. Não havia luz elétrica, mas lamparina a querosene. O banheiro era uma casinha de madeira no quintal com uma argola pra gente se segurar enquanto acocorado. A água tinha que ser tirada com um balde, puxada por sarilho para fora de um poço. Não era raro virem sapos nos baldes de água. Tempos difíceis, mas saudosos. Foi lá que aprendi a linguagem de Guimarães Rosa e até ensaiei escrever uns poemas com a idêntica proposta: o universal parte do local, salpicando os escritos com pepitas, aforismos de sabedoria.

À noite, após tomar um banho de “corgo”, comia carne de porco na lata cheia de gordura. Uma delícia! Depois ia pra cama e lia por horas seguidas os evangelhos à luz bruxuleante da lamparina. Ficava encantando, experimentava “o pasmo essencial”.

Morei lá durante uns 7 meses e vivia como um capiau. Depois, voltei para Santos, onde meus pais moram– num barraco de madeira cheio de ratos. Éramos muito pobres. Meu pai era pedreiro e trabalhava fazendo “bicos” (pequenos trabalhos). Eu era seu servente. Íamos para as obras de bicicleta e eu ia sentado no cano, fingindo que estava dirigindo. Comíamos siri que pegávamos na areia da praia e caranguejo do mangue da ponte dos Barreiros. Nunca vi o Lula por lá… Era a mesma época que ele saiu do Nordeste e veio de pau de arara para Santos.