Por que fundir os Evangelhos?

Porque fundir os quatros Evangelhos?  Primeiro, é fundamental preservar na íntegra cada um dos episódios da vida de Jesus, porque cada um contém narrativas, eventos e estórias únicas.

Obviamente, não é minha pretensão que Jesus: o Deus-Humano substitua os quatros evangelhos da Bíblia. Entretanto, pelo fato de existirem duplicidades e omissões nos evangelhos, as vantagens de se produzir uma narrativa única e concisa de leitura simples e compreensível têm sido reconhecidas há muito tempo. A primeira tentativa de fundir o conteúdo dos quatro evangelhos em uma única narrativa foi o Diatessarão, escrito por Tatiano, ano 160 d.C. O Diatessarão foi amplamente divulgado na igreja primitiva e usado exclusivamente como evangelho por mais de 200 anos, até o ano de 405, quando a igreja Romana produziu a versão Vulgata do Novo Testamento em Latim. A vulgata manteve  os mesmos quatro evangelhos separados que Tatiano usou.

Pelo fato de haver diferenças em detalhes em cada episódio, nenhuma narrativa pode ser em si mesma considerada completa ou precisa se falta um detalhe mencionado em um ou mais evangelhos. Assim, ler os quatro evangelhos juntos e unificados é uma forma de entender o que Cristo disse e fez.

Ordenação da linha do tempo da estória

A fim de separar cronologicamente todos os eventos dos quatro evangelhos, é necessário estabelecer uma linha do tempo para a vida comum e a missão divina de Jesus. Estabelecer uma linha do tempo é problemática porque os eventos registrados dentro dos quatro evangelhos estão na mesma ordem cronológica. Isso implica reconhecer que não importa qual narrativa do evangelho é usada como âncora para uma linha de tempo, a sequência dos versos dos outros três evangelhos precisam ser quebrados e reordenados muitas vezes para incluir todos os ensinamentos e eventos na mesma linha do tempo.

A biografia linear de Jesus relatada com simplicidade nos mostra um Deus mais humano do que divino, mais imanente do que transcendente. O livro dos Hebreus 4:15/16 na Bíblia nos assevera que: “não temos um sumo sacerdote que não sente as nossas dores e fraquezas, mas, sim, alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação humana, porém sem cometer deslizes”. Assim, vamos nos aproximar do trono da graça com toda a confiança para recebermos alegria e graça que nos ajude no momento de necessidade. Novamente, o escritor Harari nos propõe uma forma de se testar a realidade: Ao se examinar a história de qualquer rede humana, é recomendável parar de vez em quando e olhar as coisas da perspectiva de alguma entidade real. Como se sabe se uma entidade é real? Muito simples: apenas pergunte a si mesmo: “ela é capaz de sofrer”?

Jesus preenche os quesitos de Harari em Homo Deus ao ser o primeiro Deus-Humano. Ele nos incentivou a buscarmos também esse estágio, afirmando “Vocês são Deuses” e reafirmando aos seus aprendizes e a nós “vocês vão fazer coisas fenomenais ainda maiores que as minhas”.

Vale a pena conhecer a visão e endosso de Harari a essa assertiva de Jesus: “Mesmo que os detalhes sejam obscuros, podemos ter uma noção correta da direção geral da história. No século XXI, o terceiro grande projeto da humanidade será adquirir poderes divinos da criação e destruição e elevar o Homo Sapiens à condição de Homo deus… a nova agenda da humanidade consiste em um só projeto (com muitos ramos): alcançar a divindade.”

O aprendiz João diz que se escrevêssemos tudo que Jesus fez não caberia em todos os livros do mundo. Mas, se coubesse, concluiria a mensagem com o desfecho de Alberto Caeiro:

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?